Quando se fala em hipnose, muita gente pensa em palco, plateia e alguém que obedece a ordens sem querer. A hipnoterapia ericksoniana é outra coisa: um recurso clínico, usado dentro da psicoterapia, em que a atenção fica concentrada e você continua consciente o tempo todo. Neste texto, explico o que ela é, de onde vem, como é uma sessão, quais mitos atrapalham a compreensão e, principalmente, o que ela não é e não faz.
O que é hipnoterapia ericksoniana
Hipnose clínica é um estado de atenção concentrada. Pense em como é estar absorta num livro: o barulho ao redor fica distante, o tempo passa diferente, e, ainda assim, você sabe onde está e pode levantar a hora que quiser. É um estado natural, que muitas pessoas já viveram sem dar nome.
Na hipnoterapia, esse estado é conduzido de forma intencional e combinada, com um objetivo terapêutico. Em vez de comandar, quem conduz convida. A atenção se volta para dentro, para a respiração, para uma imagem, para as sensações do corpo, e o trabalho acontece a partir daí.
O que se sente durante a condução varia. Algumas mulheres descrevem o corpo mais pesado ou mais leve, a respiração mais lenta, uma sensação de calma. Outras seguem percebendo os sons ao redor o tempo todo. Não existe jeito certo de sentir, e nenhuma dessas experiências é melhor do que a outra.
Milton Erickson e a linguagem indireta
O nome vem de Milton H. Erickson, cujo trabalho deu origem à hipnoterapia ericksoniana. Duas ideias o tornaram conhecido e ainda orientam a prática:
- Linguagem indireta e metáforas. Em vez de ordens diretas, a condução usa histórias, imagens e sugestões abertas, que cada pessoa completa do seu jeito;
- Respeito aos recursos que a própria pessoa já tem. A premissa é que você já carrega capacidades, experiências e formas de se acalmar que podem ser acessadas. O trabalho ajuda a encontrá-las, não a colocar algo de fora para dentro.
Por isso a hipnoterapia ericksoniana não se parece com a imagem de “alguém mandando em outra pessoa”. Quem dá a direção é sempre quem está sendo atendida.
Hipnose clínica não é hipnose de palco: os mitos mais comuns
A hipnose de palco é um espetáculo, feito para entreter. A clínica é um recurso de cuidado, feito no consultório, com consentimento e objetivo combinados. Algumas ideias populares vêm dessa confusão:
- “Vou perder o controle.” Não. Você continua ouvindo, pode falar, abrir os olhos e interromper quando quiser;
- “Vou revelar segredos.” Não. Você decide o que diz e o que guarda, como em qualquer conversa de terapia;
- “Posso não voltar.” Não. O estado de atenção concentrada termina, e a condução inclui um retorno gradual;
- “Vão me fazer fazer algo contra a minha vontade.” Não. A condução é um convite, e sem a sua participação e o seu consentimento ela não funciona.
Como é uma sessão com hipnoterapia
A hipnoterapia não toma a sessão inteira. Em geral, o encontro tem etapas:
- Conversa e combinado. Antes de qualquer coisa, conversamos sobre o que você traz, o que espera, suas dúvidas e o que não quer. Combinamos também um jeito de você sinalizar que quer parar;
- Indução. É o convite para a atenção se concentrar: na respiração, no corpo, em um ponto de apoio. Você pode ficar de olhos abertos ou fechados;
- Trabalho. Com linguagem indireta e metáforas, a condução ajuda a acessar um recurso, como a imagem de um lugar onde você se sinta segura, ou a regular uma sensação de tensão;
- Retorno. A atenção volta ao ambiente, aos poucos, no seu tempo;
- Conversa depois. Falamos sobre o que você percebeu, o que foi útil e o que não foi.
É uma experiência de colaboração. Se algo não faz sentido ou incomoda, ajustamos ou paramos.
Onde a hipnoterapia entra na terapia do trauma
Na terapia do trauma, o primeiro passo é a segurança, antes de qualquer revisita ao que aconteceu. É aqui que a hipnoterapia pode ter lugar: como recurso de regulação, para ajudar o corpo a sair do estado de alerta, e como caminho para acessar uma sensação de segurança e recursos internos, que depois sustentam o resto do processo. Ela costuma andar junto de outros recursos, como a Psicologia Somática e a Focalização, que ajudam a perceber e acompanhar o que o corpo sente, no ritmo de cada pessoa. Você pode conhecer o conjunto desse trabalho em terapia para trauma emocional, e ler por que, ao superar um trauma, a segurança vem primeiro.
Deixo explícito um ponto: a hipnose não é usada para “recuperar memórias”. Esse não é o objetivo do trabalho e não é uma prática segura. Em estado de atenção concentrada, imaginação e lembrança podem se misturar, e uma recordação “encontrada” dessa forma pode não corresponder ao que aconteceu. Na terapia, o que você lembra ou não lembra do seu passado é respeitado e acontece no seu ritmo, pela conversa e pelo cuidado com o corpo, sem forçar nada.
Nem sempre é indicada: a decisão é conjunta
A hipnoterapia é um recurso entre outros, dentro da Abordagem Centrada na Pessoa, que é a base do meu trabalho. Isso quer dizer que a terapia continua girando em torno de você, e o recurso só entra se fizer sentido para você. Para algumas mulheres, ele ajuda. Para outras, não é indicado naquele momento ou não é o caminho preferido. As duas respostas são legítimas, e a decisão é sempre conjunta. Para me conhecer melhor, veja a página sobre mim.
Em relação ao reconhecimento profissional, o Conselho Federal de Psicologia reconhece a hipnose como recurso auxiliar de trabalho de psicólogas e psicólogos, conforme a Resolução CFP nº 013/2000.
O consultório fica na Praia da Costa, em Vila Velha. Também atendo online por videochamada, e se a hipnoterapia entra no seu atendimento é combinado caso a caso, em conversa. Mais detalhes na página do consultório em Vila Velha.
Perguntas frequentes
Hipnoterapia funciona?
Depende da pessoa, do momento e do que se busca, e nenhum resultado pode ser prometido. Para algumas mulheres, a hipnoterapia ajuda a regular o corpo e a acessar recursos internos; para outras, não é indicada ou não faz diferença. Por isso a decisão é conjunta, e o recurso nunca é a única parte da terapia.
Vou lembrar do que aconteceu na sessão?
Em geral, sim. Você continua consciente e ouvindo durante todo o processo. Pode acontecer de alguns detalhes ficarem menos nítidos, como quando você se absorve num filme, e é por isso que existe a conversa depois, para retomar o que foi percebido.
Dá para ficar “presa” na hipnose?
Não. O estado de atenção concentrada é natural e tem fim. Se a condução parasse, sua atenção voltaria ao ambiente por conta própria, e quem relaxa muito pode cochilar e acordar naturalmente. Além disso, você pode sinalizar que quer interromper a qualquer momento, e isso é combinado logo no início.
A hipnoterapia é reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia?
Sim. O Conselho Federal de Psicologia reconhece a hipnose como recurso auxiliar de trabalho de psicólogas e psicólogos, conforme a Resolução CFP nº 013/2000. Isso significa que ela pode ser usada dentro da psicoterapia, como recurso auxiliar, sempre com o consentimento de quem está sendo atendida e com um objetivo terapêutico claro.
Se você tem dúvidas sobre hipnoterapia ou quer conversar sobre o que faz sentido para você, será um prazer te receber para uma primeira conversa, presencialmente na Praia da Costa ou online. Chame pelo WhatsApp (27) 98127-1317 ou pela página de contato, sem pressa e no seu tempo.
Psicóloga Lorena Silveira · CRP 16/1805